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Terça-feira, Março 14, 2006

Emoções ao acaso


O calor húmido que dificulta a respiração, que faz o corpo transpirar rapidamente, que cansa facilmente e estraga qualquer tipo de penteado ou só a boa aparência do cabelo.

A simpatia, o carinho, a confiança e o apoio com que somos recebidos e tão facialmente nos convidam a entrar. A empatia momentânea, o “gingar de cinta” e a proximidade do contacto. Os abraços e os beijos.

A harmonia do momento. Esquecem-se os problemas económicos, sociais ou só políticos e todos se unem, quanto mais não seja pelo Carnaval ou o futebol. Esquecem-se os luxos e as opulências em detrimento do bem-estar quotidiano.

No coração da zona nobre da cidade, a noite acompanha alguns sem-abrigo que em busca de um espaço mais resguardado acabam nas soleiras de algum café.

Face ao forte pendor prático do curso, criam-se modelos de escrita homogéneos que preparam os alunos para o mercado de trabalho onde vão ser lançados, no entanto originam uma certa despersonalização da forma tão “pessoal” de cada um escrever.

As formas mais entusiastas e cativantes de leccionar. A proximidade pessoal e o contacto directo com os professores.

A reciclagem de latas. Apesar de o Brasil ser o um dos principais países a nível mundial a reciclar latas de alumínio, são os mais desfavorecidos que numa busca contínua e árdua procuram mais uma lata, para posteriormente as trocaram por uns míseros centavos para poderem comer. A velhinha a apanhar latas do lixo e o Sr. da bicicleta na praia que recolhe as latas dos guarda-sóis, entre todos os outros que transportam qualquer saco com latas às costas.

A abordagem e persistência dos funcionários de uma qualquer loja. Os salários míseros aliados às comissões transformam um simples passeio por uma loja numa verdadeira perseguição ao consumidor.

A chuva tropical. É tão bom sentir a chuva quente a molhar-nos a pele.

As amizades tão verdadeiras e próximas, em tão pouco tempo. O carinho de ter alguém sempre do nosso lado, que nos orienta, nos aconchega e não permite que a saudade usurpe a tranquilidade pretendida.

Mergulhar no mar quente à noite, sob o luar adormecido e o cansaço da cidade.

A precursão do olodum na praia acompanhando a caminhada do final de tarde.

Comer pipocas salgadas ao Domingo, deitada no sofá a ver um qualquer filme que passa na TV.

Ouvir o rebentar das ondas ao por do sol, numa quase melodia uníssona com o respirar ofegante de mais uma corrida.

O bem-estar e o equilíbrio que uma corrida, no extenso areal húmido e consistente, surte no meu corpo.

A companhia diária de tantas outras pessoas, que no seu anonimato, buscam a mesma tranquilidade regenerante que eu procuro, junto ao mar que exala um odor quente.

A responsabilidade e a liberdade de morar sozinha pela primeira vez.

A cumplicidade, a transparência e a amizade que advém da partilha das 24 horas diárias com alguém.

A dor nos nós dos dedos, resultante de mais uma tarde a esfregar roupa num mini-tanque, de uma lavandaria caseira reduzida. A água que cai em pingos na cabeça e nos ombros, da roupa já estendida e que apenas espera umas horas para secar.

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