..:: Anamnese ::..

..::Anamnese::..

Quinta-feira, Junho 08, 2006

Incerteza



Hoje vagueei por entre os múltiplos sentimentos que me abarcam.

O tempo passa e eu vivo entre a saudade do que deixei e a saudade do que vou ter de deixar.

Aqui encontrei quem me ensinasse a viver cada momento como um instante efémero. Encontrei quem me ajudasse a compreender que a vida é construída no presente e não unicamente nas projecções do futuro. Não que aí não tivesse consciência disso, mas a ameaça constante do tempo fez-me compreender que é urgente rever as minhas prioridades.

Alem da saudade, sinto receio. Receio do que me espera, do que mudou, daquilo que prosseguiu e que para mim é como se tivesse estagnado. A incerteza do que me aguarda faz com que sinta uma melancolia doentia.

As dúvidas fazem mover os pensamentos, mas queremos sempre nos libertar delas. Buscamos sempre uma certeza, a unicidade. Nem sempre a certeza é um fim, muitas vezes é o iniciar de uma nova dúvida. No entanto, é essa certeza momentânea que nos permite a almejada ilusória estabilidade. A Ciência prova que quando nos apegamos a uma certeza de maneira incondicional há o risco da inércia, no fundo defendem que a dúvida sempre permeou a história do pensar humano. A mim isso não me tranquiliza.

Não sei o que o meu presente me vai permitir escolher para o futuro, mas é nestas alturas que me refugiava em ti. Mesmo já sabendo o que me ias dizer, mesmo já conhecendo o teu olhar meigo e apaziguador. Sei que me irias convencer de que o mundo é meu e que eu o domino e tu sabes o quanto isso me ia tranquilizar e abstrair durante um tempo.

Talvez esteja mal habituada, mas essa sempre foi a forma mais simples de conseguir racionalizar toda a emocionalidade que me atormenta. Faz-me sentir forte e corajosa para enfrentar o que vem e o que vai.

Hoje sinto saudades. Hoje sinto mais a ausência do teu refúgio e do teu calor.

Já era tempo

Já era tempo de você voltar
Me beijar, esquecer

Já era mais que tempo de você
Refletir que as palavras
Muitas vezes
Não provêm do coração


Há muitos meses que você, meu bem
Disse adeus e partiu
Já era tempo de você chegar
Como eu, com os olhos rasos d'água
Mas sem mágoa

Triste de quem tem e vive à toa
Triste de quem ama e não perdoa
Ai de quem não cede
E de quem sempre tem razão
Ninguém sabe mais que o coração

Por isso eu peço: volta aos braços meus
Sem adeus, só perdão
Porque na hora em que você chegar
Como eu, com os olhos rasos d'água
Mas sem mágoa
Primeiro eu vou fingir espanto
Depois sorrir banhada em pranto

(Vinicius de Moraes)

0 Comments:

Enviar um comentário

Links to this post:

Criar uma hiperligação

<< Home